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Braga. Palácio D. Chica considerado dos mais belos ‘locais abandonados’ do mundo

O Castelo da D. Chica, também referido como Castelo de Palmeira, Casa da Chica ou Palácio de D. Chica, localiza-se na freguesia de Palmeira, concelho de Braga, distrito de mesmo nome, em Portugal.

História

A sua construção iniciou-se em 1915, por iniciativa de Francisca Peixoto de Sousa, nascida no Brasil, que mandou vir do seu país muitas das espécies arbóreas actualmente existentes na mata envolvente.

 

As obras foram interrompidas em 1919, quando Francisca se separou do marido. Ao longo de sua história mudou várias vezes de proprietário, arrastando-se as obras por décadas, só sendo concluídas em 1991, adaptado a restaurante e bar. Foi homologado como Imóvel de Interesse Público por Despacho de 20 de Fevereiro de 1985.

 

Atualmente o imóvel encontra-se num estado de abandono e degradação, depois de passar por uma disputa judicial quanto à sua posse, envolvendo várias entidades.

A disputa judicial

Tendo sido adquirido pela Junta de Freguesia de Palmeira, em 1990, por cerca de 95 mil Euros, a autarquia arrendou-o por contrato a uma empresa de turismo, a IPALTUR. Esta, por sua vez, procedeu-lhe beneficiações, adaptando as instalações do imóvel a zona de lazer, com bar, discoteca, restaurante e salas de reuniões e de congressos. Com o “de acordo” da autarquia, a IPALTUR hipotecou o imóvel por 750 mil Euros junto à Caixa Geral de Depósitos. Pelo acordo, durante dez anos a autarquia não receberia rendas.

 

 

O imóvel foi comprado em 2010 por um empresário do ramo do imobiliário que o vendeu novamente em 2019 a irmãos dos EUA para um local de eventos.

Características

O edifício é constituído por quatro pavimentos. Desenvolve-se num jogo de volumes muito acentuado e caracteriza-se por uma ampla diversidade de materiais e linguagens, misturando referências populares e eruditas, num ecletismo extravagante onde se misturam o estilo neogótico, o neoárabe e o “rústico”.

 

Isolados, os volumes têm uma imagem própria e estabelecem ligações através de algumas pontes (materiais e elementos decorativos). A análise dos pormenores construtivos evidencia a importância dada à imagem, em detrimento de um método de construção.

 

As janelas são indiferentemente de madeira ou de ferro, ou mesmo executadas com os dois materiais, sendo difícil saber se obedecem a um projecto de execução da obra ou se, definida inicialmente a imagem pelo arquitecto Korrodi, a solução construtiva ficaria a cargo dos diferentes artistas / artesãos que as executaram. O ferro é empregado ainda no gradeamento, no coroamento da cobertura e no catavento.

 

A repetição da “folha de hera” como elemento decorativo, simultaneamente no desenho dos gradeamentos de ferro e em algumas molduras de mármore, convive com a aplicação de diferentes motivos florais, nos capitéis das diferentes colunatas e com as rosáceas geometrizadas, nos fechos dos arcos ogivais.

 

As telhas estão “assinadas” pelo projectista. Coloridas de verde pretendem a integração na paisagem que o restante do edifício recusa.

 

A mata envolvente caracteriza-se por vegetação exótica (amendoeira brasileira, pau-santo, pinheiro brasileiro, palmeira, eucaliptos, japoneiras e outras) e muitas variedades nacionais (carvalho, plátanos, cedros, pinheiro bravo, castanheiros, salgueiros, mimosas, sobreiros e outros), com percursos sinuosos.

 

O conjunto do lago, com uma gruta com falsas estalactites, destaca-se, traduzindo uma visão romântica, que pretendeu imitar o período medieval, reproduzindo a natureza, preferindo o “bosque” ao geometrizado jardim barroco.

Algumas imagens

Podes aceder ao vídeo do imóvel: https://www.youtube.com/watch?v=ygjELwGnxfs&t=133s&ab_channel=PhillFree 

 

 

Fonte: Semanário V.

24 de Agosto de 2021

Sara MartinsAssistente de Marketing

Trata-se de um edifício apalaçado, de características ecléticas sobre um estilo romântico, projetado pelo Arquiteto suíço Ernesto Korrodi.

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